Tem veneno?
Um artigo de autoria de Ellen Marshall.
Ellen Marshall escreve desde jovem e já teve seus trabalhos publicados na revista "Morbid Curiosity" [Nota do editor: surpresa = zero] , além de contribuir para os sites "Film Threat" e "Cinefantastique". Ela tem muitos amigos herpetólogos e é dona de um belíssimo lagarto-de-língua-azul indonésio chamado Turbo.
A pessoa "comum" foge gritando de coisas que rastejam, se arrastam e podem potencialmente matá-la com todo tipo de veneno... Herpetólogos NÃO são esse tipo de pessoa (herpetólogos são pessoas fascinadas por herpetologia, não pessoas com herpes. Um mal-entendido comum). Eles são uma espécie rara, que busca especificamente experiências com nossos vizinhos répteis, apesar do perigo inerente. Eles enxergam o poder e a beleza nessas escamas, garras e presas e respeitam o longo caminho evolutivo que criou essas criaturas incríveis.
Tive a oportunidade de conversar com dois dos homens mais interessantes do planeta (desculpe, cara do Dos Eqqis), Ray Morgan, cineasta e produtor de documentários nascido na Califórnia, que atualmente reside na Costa Rica e está envolvido na educação sobre répteis em todo o mundo, e o Dr. Bryan Grieg Fry, cientista de renome mundial e professor associado da Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália, onde dirige o Laboratório de Evolução do Veneno, sobre o documentário “ The Venom Interviews ”.
"Eu tenho que ser o cara mais burro da sala!"
EM — Tenho curiosidade em saber como surgiu a colaboração com tantos especialistas para o projeto " The Venom Interviews " e como você conseguiu convencer pessoas como o Dr. Fry a participar?
RM — Eu era um criador particular de répteis e não fazia parte da "comunidade" de herpetologia. Queria encontrar pessoas para o documentário que não estivessem ali por ego, mas sim por amor ao trabalho e aos animais. Fiz cerca de 100 ligações a frio e, no fim, o grupo de 35 pessoas que participou do filme era formado por doutores, biólogos, herpetólogos e criadores altamente qualificados. Então, eu estava no centro de todo esse conhecimento e acabei sendo o cara mais ignorante da sala!
BGF — Ray entrou em contato comigo a respeito disso e eu aceitei a oportunidade imediatamente.
EM — Ray, o que te inspirou a fazer o filme?
RM — Fiquei realmente enojado e incomodado com a forma como os répteis e seus tratadores estavam sendo retratados na mídia. Répteis venenosos, em particular, são um assunto interessante, então por que ficcionalizá-los e sensacionalizá-los? A ideia era me livrar do apresentador hiperativo e da música com tema de casa assombrada para ver se ainda conseguiria criar uma história envolvente.
EM — Dr. Fry, com tanta desinformação e o surgimento de canais de TV e mídias sociais irracionais e baseados no medo, perpetuando a negatividade, especialmente em relação a cobras venenosas, como o senhor, enquanto cientista e acadêmico, combate essas atitudes e percepções?
BGF — Através de um compromisso inabalável com a precisão. Como, por exemplo, discordar veementemente de pessoas que dizem que não devemos nos referir às presas traseiras inofensivas como venenosas, mesmo que o sejam, por medo de assustar o público.
EM — Então, em todos esses anos de pesquisa, trabalho em laboratório e experiência de campo com répteis venenosos, qual foi a coisa (ou coisas) que mais te surpreendeu sobre eles?
BGF — Nossa descoberta mais surpreendente e recente foi a do veneno da cobra-coral-azul-de-glândulas-longas, com sua ação extremamente singular sobre os nervos, ativando-os em vez de desativá-los, como fazem outras cobras neurotóxicas.
EM — O filme obviamente fez sucesso entre a comunidade de herpetologia e de répteis venenosos. Como tem sido a repercussão fora desse círculo e por que você acha que o documentário atrairia um público mais amplo?
RM — Essa é realmente a pergunta de 64 mil dólares… O filme foi bem recebido por pessoas interessadas em natureza, ciência e programas como “Planeta Terra”. Além disso, apresenta pessoas REAIS que realmente fazem esse trabalho. São personagens simpáticos, pessoas legais e interessantes, muito genuínas. Acho que ele pode ter um efeito cascata que vai além de profissionais e amadores, atingindo um público ainda maior.
EM — Houve algum erro de gravação interessante ou encontros com répteis ou outras criaturas durante as filmagens do documentário?
BGF — As primeiras filmagens minhas para “The Venom Interviews” tiveram que ser regravadas depois, porque eu parecia um esqueleto. Foi logo depois da cirurgia para corrigir minha coluna quebrada e eu estava com uma aparência horrível. Parecia um verdadeiro fantasma. Para piorar, tinha um papagaio cinza africano no fundo que não parava de latir.
RM — Sim, o local onde fizemos a entrevista com Bryan tinha MUITOS pássaros e papagaios que eram muito barulhentos. Tivemos que transferi-los para outra sala, mas ainda conseguíamos ouvi-los.
“Este documentário foi um projeto feito com paixão… Fiz o filme que eu queria ver.”
EM — Há mais alguma coisa que você queira que as pessoas saibam sobre este filme?...
RM — O documentário levou um ano para ser filmado e mais de quatro anos para ser editado. Eu queria fazer perguntas mais profundas, o tipo de coisa que as pessoas na plateia fariam se pudessem sentar e tomar uma cerveja com esses caras. Este documentário foi um projeto de paixão… Eu fiz o filme que eu gostaria de ver.
Você pode assistir ao documentário "The Venom Interviews" aqui ou visitar o grupo do filme no Facebook .
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